O debate sobre o fim da escala 6×1 voltou com força total ao Congresso Nacional após o carnaval. A base governista quer acelerar a tramitação da proposta e garantir sua aprovação ainda no primeiro semestre. A ideia é transformar a medida em uma das principais bandeiras do governo nas próximas disputas eleitorais.
Mas afinal, o que muda na prática? Quem é a favor? Quem está com o pé atrás? E quando isso pode virar realidade? Vamos entender tudo de forma clara e direta.
O que é a escala 6×1 e por que ela está no centro do debate?
A escala 6×1 é o modelo tradicional em que o trabalhador atua seis dias seguidos e descansa apenas um.
Para muita gente, isso significa trabalhar praticamente a semana inteira e ter só um dia para recuperar as energias, resolver pendências e aproveitar a família.
É justo? Essa é a pergunta que está movimentando Brasília.
Base governista quer acelerar a proposta
Com a retomada dos trabalhos no Congresso, aliados do presidente Lula (PT) estão intensificando articulações políticas para aprovar a proposta.
A estratégia é clara: aprovar ainda no primeiro semestre e consolidar o fim da escala 6×1 como uma marca social da gestão.
A PEC está parada na CCJ
A proposta de emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1 está atualmente na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).
Ela ainda aguarda a designação de um relator.
O presidente da comissão, Leur Lomanto Júnior (União-BA), afirmou que pretende conduzir a análise ouvindo:
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Empresários
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Sindicatos
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Trabalhadores
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Empregadores
Ou seja, a discussão promete ser ampla.
Tema popular, mas considerado “espinhoso”
Embora o fim da escala 6×1 tenha forte apoio popular, o assunto é considerado delicado.
A oposição não se posiciona frontalmente contra, mas faz ressalvas importantes.
O principal ponto levantado é o impacto econômico para os empregadores.
Será que empresas conseguiriam manter produtividade e salários sem aumento de custos? Essa é uma das grandes questões.
Hugo Motta chama debate de “inadiável”
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), classificou o debate como “inadiável”.
Segundo ele, a tramitação na Câmara deve ser concluída até maio.
Mas antes disso, a proposta precisa:
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Passar pela CCJ
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Ser analisada por uma comissão especial
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Ir ao plenário
O caminho ainda é longo, mas o calendário já está desenhado.
Fim da escala 6×1 é prioridade do Executivo
Na abertura do ano legislativo, o Executivo enviou mensagem ao Congresso colocando o fim da escala 6×1 sem redução salarial como prioridade.
O argumento é direto:
“Não é justo que uma pessoa trabalhe duro toda a semana e tenha apenas um dia para descansar o corpo e a mente e curtir a família.”
A proposta carrega forte apelo social.
Propostas variadas sobre jornada de trabalho
No Congresso, já existem várias propostas sobre redução de jornada semanal e repouso remunerado.
Mas o tema ganhou grande projeção no ano passado, impulsionado por uma campanha nas redes sociais.
A mobilização digital trouxe pressão popular e acelerou o debate político.
Campanha fortaleceu discussão em 2025
Em 2025, o tema ganhou novo fôlego após campanha liderada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP).
Ela apresentou um novo texto propondo:
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Redução da carga horária semanal de 44 para 36 horas
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Jornada de trabalho de quatro dias por semana
Sim, quatro dias trabalhados e três de descanso.
Uma mudança estrutural significativa.
Propostas foram unificadas
Por decisão do presidente da Câmara, a PEC apresentada por Erika Hilton foi apensada à proposta do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que tramita desde 2019.
A proposta de Reginaldo também prevê redução da jornada para 36 horas semanais.
Agora, as duas tramitam juntas e aguardam deliberação na CCJ.
Isso aumenta o peso político da discussão.
Reunião entre Lula e Hugo Motta foi desmarcada
Estava prevista uma reunião entre o presidente Lula e o presidente da Câmara para discutir o andamento da proposta antes do carnaval.
O encontro foi desmarcado, mas a expectativa é que aconteça nos próximos dias.
O diálogo entre Executivo e Legislativo será decisivo.
O que pode mudar na prática para o trabalhador?
Se aprovada, a medida pode trazer:
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Redução da jornada semanal
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Mais dias de descanso
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Manutenção salarial
Para muitos trabalhadores, isso representaria mais qualidade de vida.
Imagine trabalhar quatro dias e ter três para descanso, estudos ou convivência familiar.
É uma mudança profunda na cultura de trabalho brasileira.
E para os empregadores?
Do outro lado, empresários levantam preocupações sobre:
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Custos operacionais
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Necessidade de contratar mais funcionários
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Impacto na produtividade
Por isso o debate é considerado sensível.
Equilibrar direitos trabalhistas e sustentabilidade econômica será o grande desafio.
O debate deve dominar o primeiro semestre
Com o Congresso em funcionamento pleno, a expectativa é que a proposta avance rapidamente.
Se a tramitação realmente for concluída até maio, o Brasil pode assistir a uma das maiores mudanças na jornada de trabalho das últimas décadas.
O fim da escala 6×1 voltou ao centro do debate político e pode se tornar realidade ainda neste semestre.
Com apoio do governo, articulação da base aliada e pressão popular, a proposta avança no Congresso.
Mas o caminho ainda envolve negociações intensas, análises técnicas e debates sobre impactos econômicos.
Se aprovada, a mudança poderá redefinir o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal no Brasil.
A pergunta que fica é: estamos prontos para essa transformação?
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O fim da escala 6×1 já foi aprovado?
Não. A proposta ainda está em tramitação na CCJ da Câmara.
2. A jornada passará automaticamente para quatro dias?
Ainda não há definição final. O texto em debate prevê 36 horas semanais e possibilidade de jornada de quatro dias.
3. Haverá redução salarial?
A proposta defendida pelo Executivo prevê redução da jornada sem redução de salário.
4. Quando a votação deve acontecer?
A expectativa é que a tramitação na Câmara seja concluída até maio.
5. Empresas serão obrigadas a contratar mais funcionários?
Isso dependerá da organização interna de cada empresa caso a mudança seja aprovada.


