A discussão sobre o fim da escala 6×1 voltou com força total ao centro da política brasileira. E não é exagero dizer que estamos diante de um daqueles debates capazes de mexer profundamente com a rotina de milhões de trabalhadores. Afinal, quem nunca sentiu que vive mais para trabalhar do que trabalha para viver?
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com esse modelo de jornada promete exatamente isso: devolver tempo, qualidade de vida e dignidade a quem hoje trabalha seis dias seguidos para descansar apenas um.
O que é a escala 6×1 e por que ela é tão debatida
A escala 6×1 é simples de entender, mas pesada de viver. O trabalhador atua seis dias consecutivos e folga apenas um. Parece pouco? Porque é.
Origem da escala 6×1 no Brasil
Ela surgiu como uma brecha na própria Constituição. O texto atual limita a jornada a 44 horas semanais, mas não define como essas horas devem ser distribuídas ao longo da semana.
Como funciona a jornada atualmente
Na prática, isso abriu espaço para escalas intensas, especialmente em setores que funcionam todos os dias, como comércio e serviços.
Setores mais afetados pela escala
Restaurantes, supermercados, hospitais e empresas de serviços gerais são os campeões desse modelo. Para muitos trabalhadores, o descanso virou artigo de luxo.
A PEC que propõe o fim da escala 6×1
É aqui que entra a proposta apresentada pela deputada Erika Hilton (PSol-SP), em fevereiro de 2025.
Autoria e contexto político
A PEC foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e se soma a uma proposta mais antiga do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
Principais pontos da proposta
O coração do texto é claro: reduzir a jornada máxima semanal para 36 horas.
Redução da jornada para 36 horas semanais
Essas 36 horas seriam distribuídas em quatro dias de trabalho, enterrando de vez a lógica do 6×1.
O papel da Câmara dos Deputados no debate
A Câmara é o primeiro grande campo de batalha dessa proposta.
Encaminhamento para a CCJ
A CCJ analisa se a PEC é constitucional. Parece burocrático, mas é uma etapa crucial.
Quem comanda a Comissão de Constituição e Justiça
A expectativa é que Leur Lomanto Júnior (União-BA) assuma o comando do colegiado.
Limites da atuação da CCJ
Importante lembrar: a CCJ não muda o conteúdo da PEC, apenas avalia sua legalidade.
O caminho da PEC até virar lei
Não é curto, nem fácil.
Votação na Câmara dos Deputados
São necessários 308 votos favoráveis, em dois turnos.
Análise e votação no Senado
Depois, a proposta segue para o Senado, onde precisa de pelo menos 41 votos, também em dois turnos.
Por que a PEC não precisa de sanção presidencial
Diferente de outras leis, uma PEC é promulgada pelo próprio Congresso.
O posicionamento do governo Lula
O tema ganhou status de prioridade no Planalto.
O fim da escala 6×1 como bandeira política
A proposta dialoga diretamente com a base trabalhadora que historicamente apoia Lula.
Declarações de Lula sobre o tema
No Dia do Trabalhador de 2025, Lula falou em “aprofundar” o debate sobre novas escalas.
O desafio apontado pelo Palácio do Planalto
Em mensagem ao Congresso, o presidente chamou o tema de “próximo desafio”.
A articulação política nos bastidores
Nada avança sem conversa.
O papel de Guilherme Boulos
À frente da Secretaria-Geral, Boulos tem atuado para destravar o debate.
A atuação de Gleisi Hoffmann
Como ministra das Relações Institucionais, ela faz a ponte com o Congresso.
Diálogo com o presidente da Câmara
Reuniões com Hugo Motta estão no radar desta semana.
PEC ou Projeto de Lei: qual o melhor caminho?
Existe mais de uma estrada para chegar ao mesmo destino.
Diferenças entre PEC e PL
A PEC é mais rígida, exige mais votos e dois turnos.
Vantagens e desvantagens de cada modelo
Já um projeto de lei pode ser aprovado de forma mais simples, mas tem alcance menor.
O apoio popular ao fim da escala 6×1
Aqui está um ponto-chave.
Movimento Vida Além do Trabalho (VAT)
O movimento ganhou força nas redes e nas ruas.
O abaixo-assinado com mais de 1,5 milhão de assinaturas
Esse número mostra que o debate ultrapassou os muros do Congresso.
Por que o tema é popular entre os trabalhadores
A resposta é quase óbvia.
Saúde mental e qualidade de vida
Menos dias de trabalho significam menos estresse e mais equilíbrio.
Equilíbrio entre trabalho e vida pessoal
Tempo livre não é luxo. É necessidade.
As críticas e preocupações do setor empresarial
Nem todo mundo aplaude.
Impactos econômicos
Empresários alertam para aumento de custos.
A necessidade de regras de transição
A mudança, dizem eles, precisa ser gradual.
Pequenos e médios empreendedores
Esses seriam os mais afetados, segundo o setor.
Setores que mais sentiriam o impacto da mudança
A adaptação não seria igual para todos.
Comércio e supermercados
Funcionam sete dias por semana.
Restaurantes e bares
Dependem de escalas flexíveis.
Saúde e serviços essenciais
Aqui, o debate é ainda mais sensível.
Experiências anteriores no Brasil
Essa não é a primeira tentativa.
A PEC das 40 horas semanais de 2009
Aprovada em comissão, mas nunca votada.
Por que a proposta não avançou
Faltou vontade política.
O que aconteceu no Senado recentemente
O tema também passou por lá.
A PEC aprovada na CCJ do Senado
Reduzia a jornada para 36 horas, com dois dias de descanso.
Por que ela não chegou ao plenário
Travou no caminho político.
Possíveis cenários para o futuro da jornada de trabalho
Nada está escrito em pedra.
Aprovação integral da PEC
O cenário mais ousado.
Texto alternativo ou escalonado
Uma saída intermediária.
Adaptação gradual do mercado
Talvez o caminho mais viável.
O impacto político da proposta
O debate vai além do trabalho.
A reeleição de Lula e a pauta trabalhista
A PEC pode ser um trunfo eleitoral.
O desgaste e os ganhos no Congresso
Apoiar ou barrar a proposta terá custo político.
O fim da escala 6×1 virou símbolo de algo maior: a busca por um novo pacto entre trabalho, dignidade e qualidade de vida. Popular, controversa e politicamente estratégica, a PEC promete esquentar o Congresso nos próximos meses. Seja qual for o desfecho, uma coisa é certa: o brasileiro quer — e precisa — viver além do trabalho.
FAQs – Perguntas Frequentes
1. O que é a escala 6×1?
É uma jornada em que o trabalhador atua seis dias seguidos e folga apenas um.
2. A PEC já está em vigor?
Não. Ela ainda precisa passar pela Câmara e pelo Senado.
3. A jornada vai cair para quantas horas?
A proposta prevê 36 horas semanais, em quatro dias de trabalho.
4. Todos os setores serão obrigados a seguir a nova regra?
Se aprovada, sim, mas podem existir regras de transição.
5. A PEC precisa da assinatura do presidente?
Não. Emendas à Constituição são promulgadas pelo Congresso.


