A discussão sobre a redução da jornada de trabalho voltou com força total. E não é exagero dizer que ela pode transformar profundamente a rotina de milhões de brasileiros.
A proposta de diminuir a carga semanal para 36 horas reacende debates antigos — qualidade de vida, saúde mental, produtividade e modernização do trabalho. De um lado, trabalhadores celebram a possibilidade de mais equilíbrio. Do outro, empresas alertam para desafios operacionais e aumento de custos.
Mas afinal, como funcionaria essa transição? O que realmente pode mudar na prática?
Vamos entender tudo, passo a passo.
A Nova Proposta de Redução da Carga Horária
A proposta que está no centro das discussões já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Ela prevê a redução progressiva da jornada máxima até 36 horas semanais, sem redução salarial.
Isso mesmo: menos horas, mesmo salário.
O que prevê a proposta aprovada na CCJ
A proposta mantém dois dias de descanso remunerado por semana, preferencialmente sábado e domingo. A ideia é consolidar o modelo 5×2 como padrão nacional, garantindo folga integral semanal.
Além disso, acordos coletivos poderão organizar compensações de horários, desde que respeitem os limites constitucionais.
Redução progressiva até 36 horas semanais
A transição não seria imediata. O cronograma ainda será definido durante a tramitação no Congresso. A proposta é que a redução ocorra de forma gradual, permitindo adaptação de empresas e trabalhadores.
Manutenção salarial e dois dias de folga
Um ponto crucial: não haverá redução de salário. A lógica por trás disso é simples — preservar o poder de compra e evitar impactos negativos no consumo e na economia.
Como Funcionaria a Transição para 36 Horas Semanais
A pergunta que todo mundo faz é: “Isso vai acontecer de uma vez?”
Provavelmente não.
Cronograma em debate no Congresso
Os prazos ainda estão sendo discutidos. O objetivo é estabelecer etapas que permitam ajustes progressivos na organização do trabalho.
Organização das escalas e compensações
Empresas poderão reorganizar turnos, criar escalas diferenciadas e firmar acordos coletivos para compensação de horas.
Acordos coletivos e flexibilidade
Sindicatos terão papel importante. A negociação coletiva será fundamental para adaptar a jornada às realidades de cada setor.
O Fim da Escala 6×1 Está Próximo?
A escala 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso — é alvo de críticas há anos. Agora, duas propostas legislativas buscam mudar esse cenário.
PEC 148/2015 (Senado)
A PEC 148/2015, aprovada na CCJ em dezembro de 2025, propõe o modelo 5×2 com redução gradual até 36 horas semanais. Está pronta para votação em dois turnos no plenário do Senado.
PEC 8/2025 (Câmara)
Já a PEC 8/2025, apensada à PEC 221/2019, propõe jornada máxima de 36 horas e permite formatos como a escala 4×3 — quatro dias de trabalho seguidos de três de descanso.
Diferenças entre modelo 5×2 e 4×3
O modelo 5×2 mantém a estrutura tradicional. Já o 4×3 pode representar uma revolução cultural no mercado de trabalho.
Imagine trabalhar quatro dias intensos e ter três livres. Parece atraente, não é?
Brasil e México: Reformas Trabalhistas em Ritmos Diferentes
Enquanto o Brasil discute, o México já avançou.
O cronograma mexicano até 2030
O Senado mexicano aprovou, em fevereiro de 2026, a redução gradual de 48 para 40 horas semanais até janeiro de 2030. O cronograma prevê:
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46h em 2027
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44h em 2028
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42h em 2029
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40h em 2030
2026 será ano de adaptação.
O cenário brasileiro e a pressão popular
No Brasil, a pressão popular é forte. A sociedade debate intensamente nas redes sociais e nas ruas. Porém, a resistência empresarial também é significativa.
Comparações e impactos econômicos
Ambos os países defendem que a medida pode estimular modernização produtiva. Mas os desafios são reais — principalmente em setores contínuos.
Empresas Alertam para Desafios Operacionais
Nem tudo são flores.
Setores que operam 24 horas
Logística, saúde, indústria e serviços essenciais não podem simplesmente “fechar mais cedo”. Eles precisam funcionar continuamente.
Riscos para produtividade e custos
Empresas temem queda de produtividade e aumento de despesas com folha salarial.
Necessidade de novas contratações e automação
Para manter eficiência, pode ser necessário:
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Contratar mais funcionários
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Investir em automação
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Rever metas
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Reformular políticas de RH
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Capacitar lideranças
Negócios 24h podem precisar de equipes extras e tecnologia para equilibrar oferta e demanda.
Redução de Jornada e Saúde Mental
Agora vem o ponto mais sensível: saúde.
Benefícios para qualidade de vida
Menos horas podem significar mais tempo com a família, descanso adequado e prática de atividades físicas.
A mente agradece. O corpo também.
Riscos de sobrecarga silenciosa
Mas atenção: reduzir horas não pode significar concentrar a mesma carga em menos tempo.
Burnout e pausas obrigatórias
Se pausas não forem respeitadas, o risco de burnout aumenta. O segredo não é trabalhar menos horas — é trabalhar melhor.
Impactos na Economia e no Mercado de Trabalho
A grande pergunta: isso gera mais empregos ou mais custos?
Mais empregos ou mais custos?
Alguns especialistas acreditam que a redução pode estimular novas contratações. Outros alertam para aumento de encargos.
Modernização produtiva e inovação
A necessidade de eficiência pode acelerar investimentos em tecnologia, digitalização e processos mais inteligentes.
É como trocar um carro antigo por um híbrido: menos esforço, mais resultado.
O Que Esperar dos Próximos Passos no Congresso
A proposta ainda precisa passar por votações importantes. São necessários 49 votos favoráveis no Senado para aprovação em dois turnos.
Na Câmara, as PECs aguardam tramitação e relatoria.
O debate está só começando.
A redução da jornada para 36 horas semanais representa mais do que uma mudança de números. É uma transformação cultural.
Pode significar mais qualidade de vida, equilíbrio emocional e modernização produtiva. Mas também exige planejamento, diálogo e responsabilidade.
O desafio é encontrar o ponto de equilíbrio entre bem-estar e eficiência.
Afinal, trabalhar é importante. Mas viver também é.
FAQs
1. A redução para 36 horas diminuirá o salário?
Não. A proposta prevê manutenção salarial.
2. Quando a nova jornada pode começar a valer?
Ainda não há data definida. O cronograma será estabelecido durante a tramitação.
3. A escala 6×1 será extinta?
A intenção das PECs é substituir por modelos como 5×2 ou 4×3.
4. Empresas serão obrigadas a contratar mais funcionários?
Dependerá do setor e da necessidade operacional.
5. A redução melhora mesmo a saúde mental?
Pode melhorar, desde que pausas e limites sejam respeitados.


